Toda criança faz birra — e isso, por si só, não é sinal de desobediência ou “manha”.
As chamadas crises de birra são, na verdade, uma forma de comunicação emocional, especialmente nas primeiras fases do desenvolvimento, quando a criança ainda não sabe expressar com palavras o que sente.
Mas como diferenciar uma birra comum de um pedido de ajuda emocional?
E o mais importante: como agir para ajudar o seu filho a lidar melhor com essas situações?
É sobre isso que vamos falar neste artigo.
🧠 O que realmente está por trás das birras?
A birra é uma resposta emocional intensa diante de frustração, cansaço, medo ou necessidade não atendida.
Quando a criança ainda não tem maturidade para lidar com essas emoções, o corpo fala — através de choro, gritos, negação ou agressividade.
Em muitos casos, o que chamamos de “birra” é, na verdade, um pedido inconsciente de acolhimento.
👉 Por exemplo:
- Uma criança que se joga no chão ao sair da escola pode estar cansada e sobrecarregada.
- A que grita ao ouvir “não” pode estar tentando expressar raiva ou frustração.
- E aquela que chora “sem motivo” talvez só precise de atenção e presença emocional.
Compreender isso muda completamente a forma de lidar com o comportamento.
👶 Por que as birras acontecem?
As birras costumam surgir entre 1 e 4 anos de idade, fase em que a criança está aprendendo a lidar com emoções intensas e limites.
O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, e áreas responsáveis pelo autocontrole e pela regulação emocional (como o córtex pré-frontal) ainda não estão totalmente formadas.
Por isso, durante uma crise, a criança literalmente perde o controle emocional — ela não faz birra “porque quer”, mas porque ainda não sabe outra forma de reagir.
💬 O que o comportamento do seu filho pode estar dizendo
Ao observar o contexto das birras, é possível identificar o que a criança está tentando comunicar:
| Comportamento | Possível significado |
|---|---|
| Chora e grita ao ouvir “não” | Dificuldade em lidar com frustrações |
| Se isola ou se cala | Pode estar com medo, vergonha ou confusão emocional |
| Agressividade (bater, morder) | Excesso de emoção, falta de recursos para se expressar |
| Crises frequentes em locais específicos | Sobrecarga sensorial ou emocional |
| Resistência a regras simples | Necessidade de limites mais consistentes e previsíveis |
Perceber o sentimento por trás do comportamento é o primeiro passo para agir com empatia.
💞 Como agir durante uma crise de birra
Durante a crise, o foco não deve ser corrigir o comportamento, e sim acalmar a emoção.
Veja algumas estratégias que ajudam muito no dia a dia:
1. 🌬️ Mantenha a calma
A criança se regula emocionalmente a partir do adulto.
Se o adulto se descontrola, a birra tende a piorar. Respire fundo, abaixe-se à altura dela e fale em tom calmo.
2. 🫱 Acolha antes de educar
Frases como “Eu sei que você está bravo” ou “Você queria muito isso, né?” validam o sentimento e mostram empatia.
A partir daí, a criança se sente segura para ouvir o que você tem a dizer.
3. 🕊️ Ofereça limites claros
Acolher não é ceder a tudo.
É possível ser firme e afetuoso ao mesmo tempo:
“Eu entendo que você está com raiva, mas não posso deixar você bater.”
4. 🔄 Converse depois da crise
Quando a criança se acalmar, converse sobre o que aconteceu, usando linguagem simples:
“Da próxima vez que você ficar bravo, pode me chamar pra te ajudar, tudo bem?”
5. 💗 Reforce comportamentos positivos
Valorize quando a criança consegue se acalmar ou seguir uma orientação.
Isso ajuda a fortalecer o autocontrole emocional.
🌱 Como os pais podem prevenir as birras
- Estabeleça rotinas previsíveis (isso traz segurança).
- Evite longos períodos de fome, sono ou estímulo excessivo.
- Ensine a nomear as emoções (“você está triste”, “você ficou bravo”).
- Dê escolhas simples (“você quer vestir a blusa azul ou vermelha?”).
- Seja exemplo de autocontrole e empatia no dia a dia.
Essas pequenas atitudes ensinam a criança a reconhecer e gerenciar emoções — um aprendizado que se reflete em toda a vida.
🧩 Quando procurar ajuda profissional
Se as birras são muito intensas, frequentes ou acompanhadas de comportamentos agressivos, pode haver algo além do esperado para a idade.
Nesses casos, buscar o apoio de um psicólogo infantil é fundamental.
A psicoterapia ajuda a compreender a causa emocional dos comportamentos, orienta os pais e oferece à criança ferramentas para expressar sentimentos de forma saudável.
💬 Conclusão
Por trás de cada birra, há uma emoção pedindo para ser compreendida.
Quando os pais passam a enxergar o comportamento da criança como uma forma de comunicação, tudo muda — a relação se torna mais leve, respeitosa e afetiva.
Com empatia, paciência e orientação profissional, é possível transformar momentos de crise em oportunidades de aprendizado emocional.
💗 Se você sente dificuldade em lidar com as birras do seu filho, saiba que não está sozinho.
A Psicóloga Infantil e de Adolescentes Erika Morais oferece um espaço acolhedor para entender o comportamento da criança e fortalecer o vínculo familiar.