É comum que pais e cuidadores fiquem preocupados quando percebem que a criança demora mais do que o esperado para começar a falar. Afinal, o desenvolvimento da linguagem é uma parte essencial do crescimento e está diretamente ligado à comunicação, ao aprendizado e às interações sociais.
Mas quando essa demora é algo normal — e quando pode ser um sinal de alerta?
Neste artigo, vamos explicar como ocorre o desenvolvimento da fala, quais são os principais marcos esperados em cada fase e quando procurar ajuda profissional.
👶 Como se desenvolve a linguagem infantil?
O desenvolvimento da linguagem começa muito antes das primeiras palavras. Desde os primeiros meses de vida, o bebê já demonstra interesse por sons, expressões faciais e entonações da voz dos pais.
Abaixo, veja uma linha do tempo com os principais marcos do desenvolvimento da fala:
🍼 De 0 a 6 meses:
- O bebê reage a sons e reconhece a voz dos pais.
- Começa a emitir sons guturais (como “agu”, “gugu”).
- Demonstra prazer ao ouvir vozes e músicas.
👶 De 6 a 12 meses:
- Inicia o balbucio repetitivo (“mamama”, “bababa”).
- Reconhece o próprio nome e palavras simples como “não” e “tchau”.
- Já tenta se comunicar por gestos e expressões.
🚼 De 1 a 2 anos:
- Começa a dizer as primeiras palavras com significado.
- Entende instruções simples (“dá tchau”, “vem aqui”).
- Combina duas palavras por volta dos 2 anos (“mamãe água”).
👦 De 2 a 3 anos:
- Amplia o vocabulário rapidamente.
- Consegue formar pequenas frases.
- É compreendido por pessoas fora do convívio diário.
👧 A partir dos 4 anos:
- Consegue conversar de forma clara e estruturada.
- Usa verbos, pronomes e tempos verbais corretamente.
- Conta pequenas histórias e responde perguntas simples.
⚠️ Sinais de alerta para o atraso na fala
Embora cada criança tenha seu ritmo, é importante observar alguns sinais que indicam necessidade de avaliação profissional:
- Não reage a sons ou à voz dos pais.
- Não balbucia até os 12 meses.
- Não fala nenhuma palavra até os 18 meses.
- Não forma frases simples até os 3 anos.
- Parece não compreender o que é dito.
- Usa poucos gestos ou demonstra pouco interesse em se comunicar.
- Tem histórico de infecções de ouvido frequentes ou dificuldade auditiva.
Esses comportamentos não significam necessariamente um problema grave, mas indicam que a criança precisa ser acompanhada de perto.
🧩 O que pode causar o atraso na fala?
Os motivos são variados e podem envolver fatores biológicos, ambientais ou emocionais.
Entre os mais comuns estão:
- Dificuldades auditivas (como otites de repetição).
- Falta de estímulos linguísticos (pouca interação e diálogo).
- Distúrbios do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
- Alterações motoras orais, que afetam a produção de sons.
- Questões emocionais ou comportamentais, como timidez extrema.
Um fonoaudiólogo é o profissional indicado para avaliar o desenvolvimento da linguagem, mas em alguns casos pode ser necessária uma equipe multiprofissional — com psicólogo, neurologista e pediatra — para uma análise completa.
💬 Como os pais podem estimular a fala em casa?
Pequenas atitudes diárias fazem uma grande diferença.
Veja algumas estratégias simples e eficazes:
- Converse com a criança olhando nos olhos.
- Narre o que está fazendo no dia a dia (“vamos guardar os brinquedos”, “olha o carro vermelho”).
- Leia histórias curtas e repita palavras com frequência.
- Cante músicas e rimas infantis.
- Evite o uso excessivo de telas.
- Elogie cada tentativa de comunicação, mesmo que seja com gestos ou sons.
O estímulo positivo reforça a confiança da criança e cria um ambiente favorável para o aprendizado da linguagem.
🤝 Quando procurar ajuda profissional?
Se o seu filho não está atingindo os marcos esperados ou demonstra alguns sinais de alerta, é importante buscar avaliação fonoaudiológica o quanto antes.
O diagnóstico precoce e a intervenção adequada aumentam significativamente as chances de desenvolvimento pleno da comunicação.
💗 Conclusão
Cada criança tem o seu tempo, mas o acompanhamento atento dos pais é fundamental para identificar possíveis dificuldades.
A boa notícia é que, com estímulo e apoio profissional, a maioria dos casos de atraso na fala tem excelente evolução.